O Natal da recuperação - Novembro de 2009
Assim será o Natal de 2009, refletindo a recuperação econômica diante da crise. Passamos por um momento difícil no primeiro semestre do ano onde empresários e consumidores contraíram a oferta e demanda, respectivamente. Com as medidas adotadas pelo governo de estímulo ao crescimento econômico, podemos assegurar que o Brasil foi um dos últimos a sentir os efeitos da crise e um dos primeiros a reverter o quadro de recessão. Impulsionados pelo desempenho do mercado interno, iremos continuar em expansão em 2010, com uma economia mais sólida e com maior credibilidade internacional.
Além dos sentimentos natalinos, há outros fatores importantes que contribuirão para um natal mais próspero. O emprego e a massa salarial são as principais molas propulsoras do comércio. Dados recentes sobre o desemprego confirmam a trajetória da recuperação econômica. O mês de setembro registrou a menor taxa de desemprego do ano. Além disso, as contratações temporárias que atendem a demanda do comércio que precisa se munir de bons profissionais para impulsionar as vendas, devem crescer 6% em relação ao ano passado. O rendimento real do trabalhador segue em ascensão, acumulando crescimento de 3,56% até setembro na comparação com o mesmo período de 2008. A inflação convergindo dentro da trajetória de metas estabelecidas pelo Banco Central proporciona maior poder de compra para os consumidores. Os novos recursos injetados na economia, como o pagamento do 13º salário, dão novo ânimo aos consumidores. Em Minas Gerais serão R$ 8,5 bilhões que entrarão na economia. Os trabalhadores, após usarem a primeira parcela do benefício para o pagamento de dívidas, vão se sentir aptos a fazerem suas compras para o Natal, melhorando o movimento das vendas.
A queda dos juros básicos, hoje em 8,75% contra 13,75% do ano anterior, reforça a disposição do consumidor que já apresenta maior confiança na recuperação econômica. Pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) apontou que 92,53% dos consumidores entrevistados estão confiantes.
O governo fez o seu “dever de casa” e reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns produtos durante o ano. A prorrogação do imposto continuou valendo para materiais de construção, veículos e produtos da linha branca. Mais uma boa notícia chegou durante a semana, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, divulgou a desoneração do IPI para o setor de móveis até 31 de março. A decisão levará o consumidor a comprar móveis pelo menos 10% mais baratos. Com um potencial de consumo a ser explorado, o setor pode ver as vendas crescerem em 20%.
Estamos otimistas porque temos um cenário econômico muito melhor do que o do ano anterior. Lojistas e consumidores já se preparam para a melhor data do varejo. Atendimento diferenciado e bons preços por um lado e consumidores confiantes e determinados a comprarem pelo menos um item no final do ano. O resultado? Um Natal muito bom para o varejo!
Prorrogação da redução do IPI para linha branca - Outubro 2009
“A prorrogação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre o setor de linha branca foi uma medida acertada do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nos últimos dias que é preciso mais crédito e desoneração de impostos para incentivar o consumidor brasileiro a comprar o que ainda ele não tem. Lula afirmou que, ao se criarem condições para que o cidadão compre casa, televisão, geladeira, dentre outros produtos, gira-se a economia do Brasil. Mas para criar estas condições, é preciso que tenhamos impostos menores. Sabemos que a redução dos impostos causa uma reação em cadeia. O consumo aquece, os comerciantes aumentam as encomendas e a indústria contrata pessoal. Não podemos esquecer também que os consumidores aproveitam o pagamento do 13º salário para comprar bens de maior valor. Com a prorrogação do IPI, eles terão mais chance de adquirir os produtos com preços atraentes. Desde 17 de abril, quando a redução do imposto começou a valer, as vendas da linha branca cresceram 20%. Em Belo Horizonte, o setor apresentou crescimento de 5,4% em agosto na comparação com o mês anterior. O crescimento nas vendas destes produtos é a maior prova de que precisamos de encargos menores. No fim, todos saem ganhando: indústria, comércio e consumidores. A expectativa da CDL/BH para o Natal de 2009 é de crescimento de 2% a 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, gerando faturamento em torno de R$ 1,89 bilhão no mês de dezembro. Com boas medidas como esta do governo federal, faremos do natal de 2009 o Natal da Recuperação”.
Por Roberto Alfeu
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH)
Taxa de juros Selic - Outubro de 2009
Após uma trajetória de cortes da Selic, o Banco Central deu início na última reunião a uma contenção do ritmo da política monetária expansionista, optando por manter a taxa de juros em 8,75%. Essa parada técnica se faz necessária para avaliar o comportamento da economia em geral e da inflação em particular. Do ponto de vista da inflação, o sinal é de cautela. A economia se encontra em processo de recuperação, os consumidores estão mais confiantes, o comércio varejista continua em expansão podendo fazer com que a demanda crescente gere uma pressão sobre os preços. Por outro lado, a valorização do real estimula as importações, consequentemente a uma queda no preço dos importados o que pode ser positivo para a inflação. Enquanto não se define as tendências futuras da economia, é de se esperar que o Banco Central mantenha a taxa de juros neste patamar até o próximo ano. Entretanto, quanto mais baixas as taxas de juros, melhor para a economia. Os consumidores ampliam as compras, as empresas produzem mais e investem em novas fábricas, que terão de contratar mais trabalhadores.
Por Roberto Alfeu
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH)
Regulamentação urgente para os cartões de crédito - Setembro de 2009
Enquanto os juros para pessoas físicas estão caindo, os dos cartões de crédito permanecem inalterados. Os juros dos cartões em agosto continuaram em 10,68%, a mesma do mês anterior. Ao ano, o montante é de 237,93%. Até a taxa do empréstimo das financeiras caiu 0,47%. Todas as linhas de crédito (juros no comércio, cheque especial, crédito e empréstimos em bancos) apresentaram queda. Este é o resultado de um estudo apresentado pela Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac) no último dia 13.E é também o resultado da falta de regulamentação das administradoras de cartões de crédito que cobram altas taxas do varejo, como aluguel de máquinas, porcentagem do valor da compra e custos por antecipação do crédito. Aliado a isso, estão os elevados juros cobrados dos consumidores. A diferença entre o Brasil e os outros países é assustadora. Enquanto nos Estados Unidos os juros dos cartões de crédito ficam em 20% ao ano, aqui passa dos 230%. O duopólio vigente neste mercado, dominado pelas bandeiras Mastecard e Visa, reduz o poder de negociação dos lojistas, em especial o dos pequenos empreendedores. Os gastos com as taxas que pagamos chegam a consumir até 5% do nosso faturamento. Se os lojistas não pagassem taxas tão elevadas às administradoras de cartões, os preços poderiam ser menores para os consumidores. E somos nós, lojistas e consumidores que pagamos a conta. E as administradoras lucram com isso. Só no ano passado, o mercado de cartões de pagamento movimentou mais de R$ 375 bilhões. Sem regulamentação, as administradoras cobram o quanto querem dos lojistas e consumidores. É por isso que a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH) juntamente com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) tem lutado por esta regulamentação. Para o Banco Central e os ministérios da Fazenda e da Justiça a regulamentação do mercado de cartões tem como objetivo principal aumentar a concorrência do setor. Algumas das principais mudanças da nova legislação se referem à unificação das redes de máquinas de leituras de cartões, à cobrança de preço diferenciado para pagamento com cartão de crédito e ao prazo de pagamento do varejo pelas operadoras dos cartões.
Com a regulamentação, lojistas e consumidores serão beneficiados. O lojista poderá oferecer descontos para quem paga em dinheiro ou cheque, já que não terá que arcar com taxas de administração tão elevadas. Além disso, se o consumidor entrar no rotativo, aquela forma de pagamento em que o cliente vai amortizando a sua dívida, não pagará juros absurdos às administradores. Para o lojista, uma das grandes vantagens, além das quedas elevadas de administração e aluguel das máquinas, é a diminuição do prazo para repasse pelas administradoras aos empresários. Enquanto no Brasil o prazo é de 31 dias, nos Estados Unidos e Europa, é de somente dois dias.
Não somos contra as administradoras de cartões de crédito, mas queremos transparência nas relações com as operadoras. Sabemos da importância dessa “moeda” para o comércio, mas nem nós lojistas e nem os consumidores, podemos mais arcar com taxas abusivas e juros estratosféricos.
Por Roberto Alfeu
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH)
Cartão de crédito: CDL/BH consegue mais uma vitória para seus associados - Agosto/2009
Diante das cláusulas abusivas apresentadas em seus novos contratos, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) requereu da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE) a instauração de processo administrativo para apuração de infração à ordem econômica e a concessão de medida preventiva, até decisão final do processo administrativo.
E fomos vitoriosos! A SDE acatou a representação e intimou as empresas a apresentarem manifestação sobre os fatos descritos na representação da CDL/BH. Foi concedido prazo de dez dias para que as empresas Redecard e Visanet apresentem cópia do contrato e esclarecimentos, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
Abusos - A Visanet, no novo contrato, impõe aos lojistas uma série de taxas arbitrárias e abusivas, que impactam diretamente nos custos dos estabelecimentos comerciais, principalmente dos pequenos e médios lojistas. Algumas das taxas: comissão, taxa de cadastro, taxa por inatividade, taxa de liquidação, taxas operacionais, dentre outras. A empresa também ameaça o estabelecimento comercial de cancelar o contrato em caso de não cumprimento de qualquer das cláusulas ou obrigações dispostas no instrumento, sob pena de multa não compensatória no valor equivalente à somatória das transações efetivadas nos últimos três meses e do ressarcimento das perdas e danos eventualmente acarretados.
A Redecard também apresenta abusos no seu contrato. Além de encargos e taxas arbitrárias (tarifa por transação, taxa de desconto, taxa de pesquisa, taxa pelo uso da marca, dentre outras), a empresa se isenta de qualquer responsabilidade em caso de alegação de existência de fraude na transação efetuada, sem qualquer possibilidade de defesa pelo estabelecimento comercial.
Resta agora à SDE apurar sobre a abusividade das cláusulas contratuais, principalmente quanto à cobrança de tantas taxas. A CDL/BH está no caminho certo. Lutando pelos direitos dos seus associados. Muito ainda precisa ser feito, mas estamos conseguindo e conquistando grandes vitórias. Não vamos desistir. Não somos contra as administradoras de cartões crédito, mas queremos transparência nas relações dos empresários com as operadoras!
Afinal, a CDL/BH está aqui para defender e lutar pelo direito de seus associados!
Comércio, o futuro do presente - Julho/2009
O dia de hoje, dedicado ao comerciante, deveria ser especialmente comemorado por todos os belo-horizontinos. Afinal, mais do que uma vocação natural da cidade, o comércio e a área de serviços formam, juntas, o segmento produtivo que mais emprega e mais dá dinâmica econômica ao desenvolvimento da capital.
Só para se ter uma idéia desta importância, elas respondem por 85% do Produto Interno Bruto de Belo Horizonte (PIB), que em 2006 foi da ordem de R$ 26,7 bilhões, em um conjunto de R$ 208 bilhões do PIB mineiro como um todo. Existem na capital 22.805 estabelecimentos comerciais, em um universo de 194 mil no Estado. Empregamos, em BH, 150 mil trabalhadores só no comércio, e mais 720 mil na área de serviços, contra 94 mil na indústria, 95 mil na construção civil e 7,5 mil na agropecuária.
Depois de uma série de crises que enfrentamos no começo desta nova década, voltamos finalmente a crescer. As vendas cresceram, por exemplo, 8,6% em maio, se compararmos com o mês anterior. Superar as grandes barreiras que impedem o crescimento e, ainda, os problemas estruturais da cidade, para mantê-lo assim competitivo e forte, não tem sido uma tarefa simples. Fazê-lo crescer, muito mais ainda. Na verdade, atrás dos bons resultados há, sempre, uma gigantesca soma de esforços de empresas, lideranças empresariais e associações de classe.
Nos últimos anos, especialmente, investimos como nunca antes na nossa história, em treinamento e qualificação; em oferta de novos instrumentos de marketing e vendas; em programas inovadores e essenciais, como os que fizemos para a recuperação de crédito e o combate à alta inadimplência.
Mas fomos além do ferramental técnico. Inauguramos um farto ciclo de conhecimento, trazendo para os nossos pares e associados os conteúdos mais atualizados para melhor qualificar os nossos negócios e as relações de consumo. Tenho certeza que foram instrumentos importantes para a evolução da capacidade de nossas lideranças e da qualificação do setor, de maneira geral.
Do ponto de vista do exercício da representação, temos nos esforçado para dar respostas aos nossos inúmeros desafios, compreendendo-os, também, como desafios da cidade, visto que não há um sem o outro. Por isso, investimos na revitalização de áreas importantes, como a Savassi e a Rua dos Caetés; apoiamos a revitalização do Centro; lutamos para aprovar um novo Código de Posturas, para diminuir o comércio informal e, ainda, melhorar o espaço urbano. E fomos parceiros do Poder Público na iniciativa inovadora de instalar na cidade um sistema de segurança preventivo, através do monitoramento por câmeras, o Projeto Olho Vivo, hoje, reconhecidamente a principal ferramenta de diminuição da criminalidade violenta na cidade.
Sem um comércio pujante, vivo, sustentável, não há caminho possível para o crescimento em uma cidade que tem sua base produtiva totalmente inflexionada na área dos serviços. Sem crescimento, não há inclusão. Sem inclusão, há mais desigualdade. Com mais desigualdade, há mais pobreza, violência e injustiça. Um ciclo, portanto, em que conquistaremos ou perderemos as oportunidades que temos o dever de oferecer às atuais e também às futuras gerações de cidadãos da cidade.
Pensar o futuro de Belo Horizonte é também pensar especialmente o comércio. As questões relacionadas ao crédito, à disponibilidade de capital de giro, a carga tributária, as questões relacionadas à segurança pública e ao urbanismo. E temos trabalhado muito neste sentido, tanto dentro do Estado como em todo o país. Temos nos reunido e debatido interesses de todos nós, como o cartão de crédito e o cadastro positivo. Já conseguimos algumas vitórias, como por exemplo, a aprovação pelo Senado de preço diferenciado em compras com cartão de crédito. Temos muito ainda o que fazer, pois uma entidade existe para defender os interesses de seus associados.
Pensar o futuro de Belo Horizonte é também – e talvez principalmente – compreender o salto que precisamos dar na direção da desconcentração e elevação de renda, democratização do acesso aos bens culturais e de consumo. E a formação de consensos que nos levem em direção ao crescimento com equidade, responsabilidade e democracia.
Pensar o futuro de Belo Horizonte é também pensar em nós comerciantes, que contribuímos para a vida desta cidade!
Rumo à regulamentação dos cartões de crédito - Junho/2009
Hoje conquistamos mais um grande passo rumo à regulamentação dos cartões de crédito. Em reunião da Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, que teve como objetivo, discutir a proposta da regulamentação dos cartões de crédito pelo Banco Central (BC), deputados, representantes dos Procons Municipal e Estadual e do comércio chegaram à conclusão de que é possível trabalhar em equilíbrio para conquistarmos a vitória.
Os participantes foram unânimes na proposta de um novo debate com a presença de deputados federais e estaduais, e senadores, conscientizando-os dos problemas que nós lojistas sofremos com as administradoras de cartões de crédito. Só assim poderemos instituir uma força tarefa com a proposta de um projeto de lei que regulamente o setor. O segundo passo é trazer novos concorrentes para este mercado, já que 92% dele estão nas mãos da Redecard e Visa. Em seguida, a CDL/BH se propôs, juntamente com os órgãos de defesa do consumidor, a realizar um debate que esclareça à sociedade sobre as práticas abusivas das administradoras de cartões de crédito contra os lojistas, os consumidores, a economia e o Brasil.
Livres de regulamentação, o monopólio dos cartões de crédito dá as cartas. Cobra juros abusivos dos consumidores, altas taxas administrativas dos lojistas, extenso prazo de repasse dos valores aos empresários, dentre outros absurdos.
Vamos nos unir e fazer um grande movimento para regulamentar esta moeda, com práticas de juros razoáveis e aceitáveis! Não podemos mais conviver com a resistência do Banco Central em normatizar a regulamentação das administradoras de cartões de crédito!
De quem é o Brasil? - Março/2009
Uma verdadeira queda-de-braço. Assim pode ser definida a “guerra” travada entre o governo e os bancos. O governo resolveu passar a bola, com a afirmação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que a culpa pela alta dos juros deveria ser buscada nos bancos, que subiram excessivamente seus spreads (diferença entre os juros pagos pelos bancos na captação de recursos e a taxa aplicada por eles nos empréstimos que concedem). Já os bancos rebatem dizendo que precisam proteger o seu capital diante das incertezas na economia e que não podem correr grandes riscos para não penalizar seus investidores.
Todos os dois lados têm culpa. Há muito o governo deveria ter diminuído a taxa básica de juros (a Selic), mas só veio a fazer em janeiro. A taxa, hoje em 12,75% ao ano, ainda é uma das maiores do mundo. Quanto ao spread bancário brasileiro, os números são assustadores. É o maior do mundo e 11 vezes o dos países desenvolvidos. Apesar da queda dos juros, houve aumento do spread bancário. Segundo dados do Banco Central, em dezembro do ano passado, o spread bancário das operações de crédito de pessoas físicas e jurídicas rondava a casa de 18% e 45% ao ano, respectivamente. Em relação a 2007 houve aumento nos dois casos. O Brasil ostenta o título de possuir um dos spreads mais elevados do mundo, perdendo apenas para países como o Zimbábue e o Haiti. Na comparação com países da América Latina, a diferença é assustadora: no Chile, as taxas eram de 9%, e, no México, de 8%.
Ao menor sinal de tremor, os bancos aumentam os juros. E o fazem exageradamente, já que o poder de barganha do cliente está menor com a queda da atividade econômica em função da crise financeira. Especialistas garantem o Brasil só terá juros normais, quando criar condições que reduzem a taxa básica de juros e também os spreads.
Para redução dos juros na ponta, uma das primeiras medidas seria a aprovação pelo governo da criação do cadastro positivo, um banco de dados que listaria aqueles que cumpriram seus compromissos em dia. O projeto de lei, que tramita na Câmara dos Deputados, é uma metodologia moderna de conceder crédito. Pela falta de informações, entre os bons e maus pagadores, a taxa de juros acaba sendo calculada baseada em um risco de inadimplência para todos.
Recentemente uma medida tímida, mas importante, foi tomada pelo Banco Central: a divulgação de uma nova tabela sobre o ranking dos juros bancários, que destacam modalidades de crédito para pessoa física e jurídica. Pelo site é possível comparar as taxas absurdas cobradas pelos bancos, tanto os do governo quanto os privados.
Enquanto governo e bancos travam uma luta para ver quem é o responsável pelas altíssimas taxas de juros praticadas no Brasil, o país inteiro continua perdendo. Indústria e agricultura não produzem, comércio perde vendas, empresas fecham as portas e empregos são reduzidos. O país das contradições, assiste por um lado os bancos aumentando as taxas de juros. Do outro, empresas reduzindo os preços para atrair os clientes. Como todos os setores, o comércio tem os seus riscos. Mas nem por isso, repassa para os seus consumidores este preço. E por que os bancos o fazem?
Até quando, nós brasileiros, vamos agüentar esta guerra? O governo precisa deixar de privilegiar os bancos e seus lucros exorbitantes, e voltar os olhos para os outros setores da economia. Não somos contra o lucro. Somos a favor de atitudes concretas e que resolvam o problema dos juros no país. Somos a favor de taxas de juros justas e racionais. Somos a favor do trabalho honesto e do desenvolvimento do país. Mas desenvolvimento para todos, e não para uma minúscula parcela da população. Afinal, o Brasil é dos brasileiros ou dos bancos?
Crise passará longe das vendas de Natal - Dezembro/2008
O Natal, a melhor data em vendas para o comércio, não sofrerá os efeitos da crise financeira internacional. Apesar de já ter atingindo alguns setores da economia brasileira, a crise passará longe do comércio varejista. O comerciante está otimista porque o ano de 2008 foi muito bom para o varejo, já que tivemos maior desempenho do emprego e da renda. Pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) realizada no fim de novembro com empresários da capital mineira confirmou este otimismo: 52% dos entrevistados apostam em vendas acima de 21% em relação ao Natal de 2007.
Com estoques feitos no período pré-crise, agora é hora do lojista caprichar no atendimento e oferecer bons preços e prazo de pagamento atraente. Independente do sexo e faixa etária as pessoas irão às compras, mesmo que a economia internacional esteja atravessando uma crise, e o Brasil absorvendo-a em menor grau. É a hora de apostarmos em boas vendas para este Natal, pois assim teremos fôlego para segurar os meses de janeiro, fevereiro e março, que são mais fracos para o comércio.
Como aliado do consumo, a CDL/BH fechou parcerias com os bancos do governo, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, que estão oferecendo aos lojistas linhas de crédito com taxas de juros pré-fixadas e abaixo das cobradas pelo mercado, além de excelente prazo de pagamento. Os convênios permitirão que os lojistas aumentem o seu capital de giro, principalmente agora na época do Natal. Ele poderá ampliar o parcelamento das vendas e até investir em equipamentos. Dessa forma o comércio poderá ter um Natal melhor ou igual ao do ano passado.
Também temos que levar em consideração que o Brasil tem boas condições para se sobressair em momento de crise, já que cerca de 85% da produção do país é destinada ao mercado interno, o que fortalece a economia. O que dificulta os investimentos e prejudica o consumo, são as altas taxas de juros. A última reunião do Comitê de Política Monetária Nacional (Copom) do ano manteve em 13,75% as taxas de juros. Temos a segunda maior taxa do mundo e o governo não colabora para mudar este cenário. Com juros mais baixos, teríamos menos endividamento e aumento do consumo.
Com todos os prós e contras da economia, o que não podemos é ter paradas estratégicas. O comércio precisa “andar”, gerar emprego e renda para o país. Para isso temos que continuar trabalhando e tornarmos a crise menos séria para todos os setores da economia. Quanto mais pessimistas formos, mais sofreremos. O setor de comércio e serviços é o motor da economia deste país e tem trabalhado para provar isto. O que não podemos é cruzar os braços e deixar que a crise nos envolva. Podemos torná-la mais branda. É só querermos. Para isso é preciso que cada um faça a sua parte e não se deixe desanimar.
Vamos ter boas vendas neste Natal e fecharemos o ano de 2008 com saldo positivo. Afinal trabalhamos e continuamos trabalhando muito para alcançarmos bons resultados. Se os desafios teimam em bater na nossa porta, ótimo. Assim poderemos mostrar a força que temos. E com certeza sairemos desta crise com muito menos arranhões que os outros países.
Impostos sem compostura - Junho/2008
Nem houve tempo suficiente para nos acostumarmos a viver sem a malfadada Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o mais duradouro dos impostos provisórios brasileiros, e a Câmara Federal a reaprova, agora travestida de contribuição específica e permanente para o financiamento da saúde pública no País.
Não se discute a necessidade de ampliar expressivamente os recursos públicos para esta área fundamental à vida dos brasileiros. A questão, no entanto, não parece ser esta. Afinal, com a CPMF em pleno vigor, vivemos epidemias de dengue, constatamos o retorno de doenças que pareciam erradicadas e permanecem intactos os grandes problemas de atendimento à população – filas enormes, falta de médicos e de serviços que respondam à grande demanda represada no setor.
Em resumo: mesmo com o imposto provisório, a saúde continuou sendo um dos principais e mais graves problemas nacionais, ao lado do desemprego e da violência. Aliás, problemas que estão intimamente relacionados. Com a inacreditável carga tributária nacional, a economia cresce menos; gera, portanto, menos empregos e oportunidades; sem emprego, cresce a violência e piora a qualidade de vida das pessoas.
A Contribuição Social para a Saúde (CCS) vai se somar, se aprovada, a 61 tipos de outros tributos existentes no Brasil, entre impostos, taxas e contribuições. Estão em vigor, hoje, cerca de 3.200 normas neste campo – estima-se que mais ou menos 300 delas são editadas a cada ano - que explicam a barafunda de 55.767 artigos; 33.371 parágrafos; 23.497 incisos e 9.956 alíneas tratando formalmente da matéria.
Mais ainda: atualmente, uma empresa comum deve cumprir algo em torno de 95 obrigações acessórias (declarações, formulários, livros, guias e etc), para estar em dia com o fisco, que exigem gastos da ordem de 1,5% do seu faturamento total. Na conta geral, as empresas brasileiras gastaram, em 2007, apenas com o cumprimento dessa burocracia, a bagatela de R$ 33 bilhões.
Essas distorções caracterizam o nosso modelo fiscal, que, além de gerenciar uma das mais altas cargas tributárias do planeta, acabou se transformando em um autêntico ferrolho que impede a expansão da dinâmica econômica e, por conseqüência, do desenvolvimento social, eis que um não se dá sem o outro.
Apenas para se ter uma idéia geral do avanço da múltipla tributação no país, há 18 anos os impostos somavam 23% do Produto Interno Bruto (PIB); hoje alcançam mais de 40% do nosso PIB.
Tão grave quando o volume descabido de tributos é fato de que, no Brasil, os pobres pagam mais impostos que os ricos, uma contradição inexplicável para os governos e os que fazem as leis, e que, como todos assistimos, usam e abusam do discurso sobre o combate à desigualdade. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os 10% mais pobres do país comprometem 33% de seus rendimentos com o pagamento de impostos, enquanto que os 10% mais ricos pagam 23%, mostrando que o nosso sistema tributário é injusto e regressivo, ou seja, quem ganha mais paga menos e quem ganha menos paga mais.
Um outro estudo, do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), mostra que o dinheiro que o contribuinte ganha com o seu trabalho nos cinco primeiros meses do ano é totalmente destinado ao pagamento de taxas, contribuições e impostos exigidos pelos governos federal, estadual e municipal.
Em média, para pagar impostos, o brasileiro trabalha 148 dias por ano, contra 97 dias dos argentinos, 102 dias dos americanos, 92 dias dos chilenos e 91 dias dos mexicanos. Hoje é necessário trabalhar o dobro do que se trabalhava nas décadas de 70 e 80 para pagar todos os tributos.
Somos informados, como cidadãos, que a cada dia os governos arrecadam mais e mais, performance resultante do excesso de tributos sobre uma plataforma de produção que avança progressivamente e vence, todos os dias, os percalços “impostos” por um modelo de Estado arrecadador e fiscalista. Só com a CCS projeta-se uma arrecadação da ordem de 11 bilhões de reais por ano.
Assim sendo, agora que a CCS foi aprovada na Câmara, mas ainda será votada pelo Senado e provavelmente examinada do ponto de vista constitucional pelo Judiciário, cabe perguntar: falta, mesmo, dinheiro à saúde pública, ou gestão aos governos?
Quem tem medo de Aécio Neves? - Abril/2008
A intenção da nota divulgada pelo PT sobre a aliança em torno da disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte parece não ser a de proibir a aproximação do PT com o PSDB em termos nacionais.
Na verdade, o partido não tem condições políticas de fazer algo parecido, haja visto a quantidade de prefeituras em que PT e PSDB e, pasmem, PT e PFL fizeram dobradinha nas ultimas eleições. Sem nenhuma objeção da Executiva Nacional do PT.
A nota em questão parece ser dirigida, não ao PT, mas ao governador Aécio Neves. E ao fazer isso, o Partido ao invés de fragilizá-lo, evidencia a sua importância. Há quem diga que atacar o governo dele foi uma resposta a outra nota, divulgada antes por Fernando Pimentel, em que o prefeito elogia a administração do tucano.
Melhor para o Brasil não acreditar que decisões tão importantes e simbólicas possam ser movidas por sentimentos tão pequenos.
A crítica ao tucano, vem pelo menos num momento irônico. O governador acaba de representar Minas Gerais no Encontro Bi Anual do Banco Mundial em Washington, quando o Estado foi a única experiência do mundo apresentada como modelo de gestão pública eficiente; há pouco tempo, o Conselho de Gestores Municipais de Assistência Social de todo o país (Cogemas) reconheceu a atuação do Governo de Minas como modelo para o país. Minas é, até hoje, o único estado brasileiro a oferecer o ensino fundamental de 9 anos em toda a rede pública.
Mas isso não vem ao caso agora. Como não interessa também o desrespeitoso constrangimento a que o partido expôs o prefeito da Capital e os cerca de 2 mil filiados que aprovaram a aliança entre PT, PSB e PSDB em Belo Horizonte.
E nem vale perguntar: onde estava a Direção Nacional do PT quando o Partido se aliou a Newton Cardoso em 2006? Essa aliança, que na época escandalizou Minas, contou com a aprovação da Executiva Nacional do PT.
A pergunta que fica no ar é: Por que alguns setores do PT tem tanto medo de Aécio Neves? A explicação é simples: Serra é um adversário eleitoral. Aécio é um adversário político.
Setores do PT (principalmente os de São Paulo) preferem enfrentar Serra do que Aécio. Contra Serra, o PT – da forma como existe hoje – permanece unido sob a égide da lógica paulista. Para vencer ou perder. Até para perder agora e para vencer depois. Contra Serra, a derrota é apenas eleitoral. Com Serra, o jogo permanece o mesmo. Os mesmos continuam dando as cartas.
Com Aécio, muda a lógica do jogo. Com Aécio, pode-se pensar na construção de um cenário político com convergências mais amplas e polarizações diferentes das que existem hoje, e das quais o país tem sido refém e vem dando mostras de exaustão.
É isso que assusta alguns setores do PT e do PSDB: o novo.
Para alguns setores dos dois partidos é melhor deixar o jogo como está. Do jeito que o tabuleiro está montado as regras do jogo são claras: eles jogam e quem perde faz tudo para inviabilizar a exercício da vitória do outro, e vice versa. Como tem sido.
Mesmo que uma aliança, como a proposta pelo governador e pelo prefeito, não vigore agora, só o seu lançamento já teve um mérito: o de sinalizar para a população brasileira que é possível um novo caminho mais generoso, que permita somar as forças de homens e mulheres de bem que muitas vezes se viram distanciados um dos outros por circunstâncias menores que o verdadeiro interesse público.
A aproximação proposta pelo governador e pelo Prefeito tem um quê de desprendimento. Quem está acostumado ao jogo da política rasteira, só consegue enxergar estratégias e interesses pessoais onde pode estar nascendo uma alternativa há muito ansiada por muita gente neste país.
E não é por acaso que ela nasce em Minas. E não nasceu agora. Em 2006 mais de 20% dos prefeitos petistas do estado apoiaram a candidatura de Aécio ao governo. No ano passado, foi a vez do ex.-embaixador Tilden Santiago se posicionar contra o sectarismo antigo e autoritário.
Muita gente pode tentar não enxergar, durante algum tempo, o que está acontecendo em Minas. Mas os mineiros já sabem: aqui, mais uma vez, o novo está nascendo.
Revitalizar ou esvaziar - abril/2008
As grandes cidades brasileiras, em média, padecem do mesmo mal, em especial as capitais que polarizam as regiões metropolitanas. De ícones do desenvolvimento, da prosperidade e da modernidade, progressivamente vão se transformando em verdadeiras áreas de impasse do urbanismo moderno, onde se acumulam e se sobrepõem a altíssima densidade populacional, o trânsito caótico; os aglomerados habitacionais irregulares e a veloz verticalização.
Não por outro motivo, ganhou força na agenda de gestão das cidades a idéia da revitalização de grandes áreas muito castigadas por essa dinâmica de novos problemas contemporâneos. Os hipercentros pontuam quase sempre nesta posição, pois exercem forte atração concentradora de amplas áreas comerciais e de serviços e corredores de tráfego fundamentais à mobilidade dos cidadãos e à dinâmica da cidade.
Grandes alterações acontecerão no hipercentro de Belo Horizonte. A área já perdeu grande parte do conglomerado bancário que tradicionalmente se instalava no local; passo seguinte cederá o abrigo de milhares de pessoas, com a transferência das sedes administrativas dos órgãos do Governo Estadual, que migrarão para o novo Centro Administrativo em construção na Região Norte da cidade. E, agora, completa-se esse primeiro ciclo com a provável remoção da Rodoviária da região.
Por força da realidade, acredito que ninguém, evidentemente, discute mais a necessidade de se buscar uma solução racional para o posicionamento da Rodoviária fora do núcleo central da cidade, em função do grande volume de transtornos que decorre do seu funcionamento naquela localização. Na prática, sabemos todos que aquele modelo servia muito bem a uma cidade com outras dimensões, que já não existe mais.
Por isso mesmo, sequer o comércio da região tem combatido a medida. Tampouco a perspectiva de mudança. No entanto, essa é uma decisão que precisa ser conduzida com cuidado e responsabilidade, porque acarretará grande repercussão sobre a vida das pessoas e, certamente, sobre a própria lógica de funcionamento da capital. Afinal, ninguém ignora o laço histórico e estratégico entre o fluxo de pessoas e do trânsito e a vitalidade do comércio. Ele é óbvio. Só para se ter uma idéia do que isso representa, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) constatou, através de pesquisa, que 75% do público consumidor da capital vai até o centro de ônibus.
Do nosso ponto de vista é fundamental que a medida de transferência se dê sem que isso represente um agravamento no processo de esvaziamento do hipercentro, que está em pleno curso, o que significaria mais um importante revés ao comércio daquela região. Como se sabe, o comércio local é composto, em grande parte, por pequenos empreendedores - 13 mil estabelecimentos comerciais, em sua grande maioria varejo de artigos de armarinho, lanchonetes e similares, além de calçados e vestuário. Há, ainda, 24 hotéis que dependem dos visitantes que chegam de ônibus à cidade.
Uma solução viável para equacionar o problema seria transferir para outro local o manejo de passageiros que viajam entre municípios, mantendo na plataforma original pontos de embarque e desembarque para esses e todo o andar térreo da atual rodoviária para a logística específica dos ônibus metropolitanos.
Nesta direção - e cumprindo seu dever de representação - a CDL/BH volta a campo, agora, com uma nova pesquisa para mergulhar nesta realidade e buscar novos elementos para o debate e eventualmente orientação às decisões do Poder Público. A idéia é compartilhar esforços e responsabilidades. Entendemos que é fundamental que a cidade pense o futuro não apenas a partir das suas ruas, dos seus prédios e da sua infra-estrutura urbana. Mas fundamentalmente das pessoas. Afinal, são elas que fazem uma cidade viva, socialmente responsável e feliz.
Belo Horizonte à frente do seu tempo - abril/2008
Belo Horizonte avança para o futuro e equipara-se, agora, às cidades mais modernas do mundo, ao proibir o uso e o fornecimento de sacolas plásticas no comércio. Medida simples, mas emblemática, este é um passo que altera o comportamento do consumo dor produto em larga escala e tem potencial para difundir um novo olhar sobre a imprescindível – e já inadiável – adoção de medidas e instrumentos de proteção ao meio ambiente urbano, onde a grave concentração populacional e a alta produção de bens e serviços muitas vezes comprometem a qualidade de vida dos cidadãos.
Esta, no entanto, não é tarefa simples. E nem deve ser compreendida tão somente como responsabilidade única do comércio. A nova legislação que regulamenta a decisão precisa deixar de ser peça jurídica formal e se transformar em conteúdo de conscientização da sociedade. Só assim não corre o risco de aumentar o grande volume das leis necessárias, votadas e aprovadas, mas que raramente se aplicam, como inúmeras vezes acontece no Brasil.
É importante que esta decisão não seja vista como um contencioso contra este ou aquele segmento produtivo, mas como um sentido de evolução da cidade. Por isso, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) não só apóia a medida, mas defende que ela se estenda ao maior número possível de municípios e mercados.
Agora, impõe-se a disponibilização de informação, mobilização dos setores tradicionalmente usuários desses materiais e ações que possam promover o interesse sobre o tema. O debate, por exemplo, sobre o uso das sacolas alternativas, “biodegradáveis”, embora ainda não seja matéria pacífica e consensual, também significa um avanço. Pelo menos fomenta os argumentos em torno da necessidade de mudança das nossas práticas quotidianas.
Para o comércio, de maneira geral, o desafio da busca de soluções criativas, originais e inovadoras está posto. Um exemplo debatido na CDL/BH é a alternativa da sacola de pano. Além de mais durabilidade, supermercados, farmácias e outros tipos de estabelecimentos podem oferecê-la como instrumento de promoção do próprio negócio. Outra opção é a sacola de papel, que deriva de materiais renováveis, como florestas plantadas. Empresas como a Faber Castel já demonstraram ser possível incorporar o conceito da sustentabilidade ambiental na “alma” do negócio, e replantam as árvores utilizadas no processo de fabricação do material.
No entanto, há que se raciocinar sobre a realidade. Grande parte dos empreendimentos comerciais que utiliza a sacolas plásticas não tem capacidade financeira para responder a este desafio com práticas equivalentes. Por isso, a busca de alternativas de embalagens de compra para os micro e pequenos comerciantes é tarefa urgente e importante, que deve começar agora. Neste caso, não basta apenas cobrar, mas oferecer saídas. Da parte dos lojistas não pouparemos esforços para difundir o tema, porque entendemos que a evolução e o desenvolvimento do comércio só são possíveis quando também evolui a sociedade e o bem estar dos seus cidadãos.
Papai Noel antecipado para a população - Dezembro/2007
Na madrugada do dia 13 de dezembro o governo federal perdeu a disputa para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. Mais conhecido como "imposto do cheque", que suga 0,38% sobre todos os saques, depósitos e transferências bancárias feitos por pessoas e empresas, o governo arrecada com a CPMF, mais de R$ 40 bilhões por ano. Criada em 1993, sua destinação original era financiar a saúde pública e conseqüentemente milhões de brasileiros. Mas infelizmente isto não aconteceu, pois o governo dividiu o bolo da arrecadação com o Ministério da Educação, da Previdência e com o pagamento de juros da dívida pública.
Pelo sim, pelo não, podemos dizer que o Brasil conquistou uma grande vitória, já que o fim da CPMF não deixa de ser o início da redução da carga tributária, que atualmente responde por quase 38% do Produto Interno Bruto (PIB). Na ponta do lápis, o empresário terá menos encargos e o consumidor mais dinheiro no bolso. Para o comércio e a economia em geral, há grandes vantagens com o fim da CPMF, como o aumento das vendas e conseqüentemente a abertura de novos postos de trabalho e maior arrecadação para o município e para o Estado.
Como o governo não tinha um plano B para a derrota, agora é a hora de procurar alternativas para colocar as contas em dia. Uma das opções é reduzir a alíquota dos impostos para aumentar a arrecadação. A diminuição dos impostos torna os produtos mais baratos, reduz a informalidade e eleva a receita com impostos. A lógica é simples: a redução da tributação é causa direta da diminuição da informalidade. Outra alternativa é taxar menos os bens de consumo que têm os tributos cobrados no preço final dos produtos, fazendo com que o consumidor da classe E pague o mesmo tanto de impostos que o brasileiro mais rico. Com menos dinheiro, os mais pobres gastam tudo o que ganham em impostos. A idéia seria ampliar a participação dos impostos indiretos, que são cobrados de acordo com a renda e o patrimônio do contribuinte.
Nós do comércio vemos com bons olhos a queda da CPMF. O fim do "imposto do cheque" torna esta moeda muita mais atraente para lojistas e consumidores. O lojista não precisa arcar com as altas taxas cobradas pelas operadoras de cartão de crédito podendo reverter este valor em preços menores. E o consumidor conta com a facilidade de parcelar suas compras pelo cheque. E sem pagar a CPMF, que nunca voltou para o seu bolso em forma de benefício.
O Dia das crianças e a propaganda - Outubro de 2007
O setor de serviços e comércio de Belo Horizonte é responsável por 84,4% do Produto Interno Bruto (PIB) da capital mineira e somente na Rede Metropolitana de Belo Horizonte emprega 1,52 mil pessoas. Para a economia, são números muito favoráveis e com a chegada do final de ano, as perspectivas são ainda melhores. Somente com contratação temporária, o comércio deve abrir 7,1 mil vagas na capital, um aumento de 7% em relação a 2006. Para quem está desempregado, esta é uma boa chance, já que além de aumentar a renda familiar, a possibilidade de ter um emprego fixo é grande, pois o número de temporários efetivados é de 20% a 30%.
As contratações começam no mês de outubro e se realizam até a semana do Natal. Para os lojistas dos ramos de brinquedos o Dia das Crianças é uma boa oportunidade para apresentar ao público os principais lançamentos para o Natal e serve como sinalização de termômetro de vendas para o final do ano. A expectativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) para este ano é um aumento entre 6% a 8% no volume de vendas no mês de outubro, o que deve girar na economia de Belo Horizonte cerca de R$ 1,67 bilhão.
A expansão do emprego, da massa de salários, a valorização da moeda nacional e principalmente a queda na taxa de juros, que acaba por beneficiar o crédito, são alguns dos fatores que nos levam a ter projeções otimistas de crescimento nas vendas para este ano. O Dia das Crianças em termos de vendas ocupa importante posição dentre as datas comemorativas, já que o brinquedo se tornou um artigo essencial na educação das crianças, com a indústria lançando sempre novos produtos.
Para aproveitar a data é fundamental que o lojista tenha criatividade, invista na decoração e em atividades extras para atrair a garotada. O ponto principal, porém, é chamar a atenção do cliente mirim na preparação da loja. Uma das opções para atrair as crianças, além de atividades, como espaço para desenho e jogos, é a distribuição de doces, sorteio de brindes e capricho nas vitrines.
Na hora de escolher o melhor brinquedo, é preciso analisar e conhecer os gostos, interesses, faculdades e limitações da criança a ser presenteada. Mas é preciso ficar atento na hora das compras lembrando sempre que os brinquedos devem ter peças grandes que não possam ser engolidas; sejam leves para manusear; não tenham pontas ou bordas afiadas; sejam de cores vivas e não sejam tóxicas.
E esta é uma preocupação dos pais segundo recente pesquisa da CDL/BH com 300 pais. Na opinião de 29% dos entrevistados, o mais importante na hora de escolher um brinquedo é que ele seja apropriado para a idade; 26,4% que tenha aprovação do Inmetro e 20,1% que seja educativo. Dos pais ouvidos na pesquisa, 13% verificam a segurança do brinquedo; 7,5% a durabilidade e resistência e 3,9% disseram que antes de efetuar a compra, analisam de que material ele é feito.
Mas na hora da compra de quem é a palavra final? Mesmo com todo o cuidado dos pais na hora das compras, quem decide o presente que será levado para casa são os filhos. Hoje eles estão muito mais maduros, com maior poder de decisão e principalmente sabendo que querem. Graças aos veículos de comunicação e a tecnologia do mundo moderno, as crianças têm maior acesso à informação.
Especialistas em marketing comprovam que dois aspectos levam o cliente a realizar uma compra: necessidade e sonho. E existe felicidade maior do que ver os olhos de uma criança brilhando quando tem seu sonho realizado? A boneca que viu na televisão agora está em suas mãos, o carrinho que dá piruetas hoje corre pelo seu quarto. Existe preço que pague por esta emoção?
47 anos de união e trabalho - Agosto 2007
No dia 28 de junho a CDL/BH completou 47 anos. Quase cinquentária, a entidade tem muito que comemorar e do que se orgulhar. Em todos estes anos ela sempre se pautou pela ética e transparência, tendo à frente presidentes que juntamente com sua diretoria trabalharam para fazer desta entidade uma das mais representativas no setor em Belo Horizonte e também em Minas Gerais. E conseguiram. Hoje somos reconhecidos pelos diversos setores da sociedade e quando se fala em comércio, a CDL/BH é uma entidade de destaque.
Nestes 47 anos de existência, a CDL/BH sempre se preocupou com os anseios da classe lojista, mobilizando-os e apresentando novas propostas. Atualmente nosso trabalho tem se dividido em duas frentes: objetivando o desenvolvimento do comércio varejista na capital mineira e procurando melhorar a qualidade de vida da sociedade e do município de Belo Horizonte.
Caminhamos nos últimos anos, conscientes do nosso dever de representação de milhares de lojistas da capital. Para isso, investimos como nunca em inovação e modernização administrativa. Melhoramos nossas capacidades para também ampliar o volume e a qualidade de nossa participação em áreas decisivas ao processo de desenvolvimento do nosso setor e do Estado.
Os trabalhos desenvolvidos são muitos, mas merecem destaque a mobilização da entidade pela aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e da luta pela redução da carga tributária com ações como o "Dia da Liberdade de Impostos". Entre os destaques das ações sociais para o melhoramento de Belo Horizonte, a entidade liderou a ONG "Minas pela Vida", revitalizou a rua dos Caetés e de outros centros comerciais, como Savassi e Barreiro. A CDL/BH foi também a responsável pela implantação do programa "Olho Vivo", participou e contribuiu com os projetos "Minas Solidária" e "Fica Vivo" e foi a principal organizadora da luta política pela aprovação do Código de Posturas de Belo Horizonte.
Mais do nunca a CDL/BH é o lojista. Temos buscado fazer mais que o possível para estar à altura da confiança que merecemos, de todos que trabalham no comércio. Procuramos entender seus problemas, suas carências e seus desafios. E mais: sempre buscamos respondê-los.
Ao 47 anos, podemos afirmar que estamos mais preparados para enfrentar o mercado contemporâneo, muito mais competitivos e muito mais conscientes do nosso papel. E acredito sinceramente, muito mais unidos.
Com as jazidas de ouro se esgotando, Minas Gerais entrou em fase de decadência econômica na segunda metade do século XVIII. Mesmo com os mineiros ficando cada vez mais pobres, o governo português continuou exigindo pesados impostos, argumentando que a queda na produção era resultado do contrabando de ouro. Mas a realidade era outra. Minas Gerais era obrigada a pagar cem arrobas (1.500 Kg) de ouro por ano para a Coroa. Caso a arrecadação não atingisse essa cota, era cobrado um imposto extra da população até completar cem arrobas.
Por uma reforma tributária urgente - Maio de 2007
A cobrança do imposto, conhecido como derrama, criou um clima de tensão e revolta das camadas mais altas da sociedade. Importantes membros da elite econômica e cultural de Minas começaram a se reunir e a planejar um movimento contra as autoridades portuguesas, que foi batizado de Inconfidência Mineira.
O resultado deste movimento que visava apenas o fim da opressão portuguesa todos devem saber. Com muitos planos e pouca organização para realizá-los, além de terem sido denunciados, os participantes da Inconfidência Mineira foram presos, julgados e condenados. Onze deles receberam sentença de morte. Mas só Tiradentes teve sua pena de morte mantida.
Estamos no século XXI, mas a história parece se repetir. Estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) aponta que o empregado recolhe em média 18,76% de seu rendimento bruto ao Estado. E o empregador, outros 32,98% do montante ao governo. Os números apontados pelo estudo, se não são assustadores, são pelo menos desanimadores.
As empresas brasileiras pagaram cerca de R$ 345,50 bilhões dos R$ 476,57 bilhões arrecadados com tributos em 2002. Isto significa quase 26,43% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e correspondeu a 33,05% do faturamento bruto das empresas de todos os setores. A arrecadação tributária ultrapassou R$ 553 bilhões em 2003, atingiu R$ 650,15 bilhões em 2004 e chegou a R$ 733 bilhões em 2005. Em 2006 ultrapassou R$ 815 bilhões.
Temos o sistema tributário mais caro e complexo do mundo. Entre impostos, taxas e contribuições, são cerca de 62 tributos cobrados no país. São tantas siglas, que o contribuinte, tanto pessoa física como jurídica, se perde. Uma pequena lista dos mais conhecidos inclui IPTU, IPVA, INSS, ICMS, IPI, ISS. Dos pouco conhecidos, podemos citar o imposto de importação e o CIDE.
Com elevados tributos, o que assistimos é o fechamento crescente das empresas. Veteranas ou calouras é difícil sobreviver à mordida do governo. Não precisamos é claro, de organizarmos uma nova Inconfidência Mineira. Mas também não podemos ficar de braços cruzados, assistindo calados que o governo nos abocanhe cada centavo.
Sabemos o quanto trabalhamos duro, gerando riqueza e emprego para o país. Sabemos também a força que o nosso setor tem para o país. Um bom exemplo da nossa representatividade é a aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Foram meses de negociação em Brasília, mas vencemos. E é assim que temos que agir. Nossa luta precisa ultrapassar o balcão das nossas lojas e alcançar a sociedade. Precisamos mostrar o quanto pagamos de impostos e lutar por uma reforma tributária urgente. Elegemos os nossos governantes e agora é a hora de cobrar o voto que depositamos nas urnas.