Mais Brasil, menos impostos

Economia

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), mais de 40% de todo o rendimento dos brasileiros em 2015 foi destinado ao pagamento de impostos, taxas e contribuições. Embora boa parte da população não perceba somos tributados o tempo todo. Da compra do pão francês a aquisição de uma simples caneta, nenhuma transação está livre da cobrança dos impostos.

Ainda segundo o IBPT, a tributação sobre consumo no país é a que mais pesa sobre a renda das famílias e os produtos com maior incidência de impostos são os cosméticos, as bebidas alcoólicas e os videogames. A tributação para a aquisição de um perfume importado representa quase 80% do valor final do produto. Ao optar pelo produto nacional, o consumidor paga quase 70% de tributos. Na compra de uma caipirinha, 76% do valor da bebida é só de impostos. E a cobrança para a compra de um videogame equivale a 72,18%.

Se os impostos voltassem para a população em forma de prestação de serviços públicos de qualidade não haveria reclamações. Mas não é isto o que acontece. E os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam isto. Pesquisa divulgada pelo órgão, em março deste ano, apontou que mais de 30% da população brasileira possui planos de saúde. E a justificativa para tal comportamento é simples. Como o governo não consegue garantir para toda população um serviço de qualidade, o brasileiro se vê obrigado a pagar além dos tributos para ter um bom atendimento médico pessoal e familiar. E ao agir assim, o cidadão acaba sendo bitributado.

Não há dúvidas, o cidadão brasileiro faz a sua parte ao pagar os impostos. Mas em contrapartida, os governos em suas três instâncias (municipal, estadual e federal), deixam e muito a desejar. Temos tributos demais e retorno de menos. Segundo dados do IBPT, o Brasil é o país que oferece o pior retorno dos impostos à população. A constatação veio após pesquisa que avaliou as 30 nações com as maiores cargas tributárias do mundo. E pela quinta vez, o Brasil ficou na última posição do ranking, atrás do Uruguai, Argentina e Grécia.

Não bastasse isso, o Brasil é detentor de uma das cargas tributárias mais complexas do mundo. São mais de 90 tributos em vigor no país. E eminência do retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) volta a assombrar consumidores e empresários. Segundo o governo, a cobrança iria ajudar no equilíbrio das contas públicas. Mas o que acontece é que a população não pode e não aguenta mais ser onerada pela incompetência pública.

Para conscientizar a população sobre a abusiva carga tributária do país, o movimento lojista da capital, se une, mais uma vez, para promover a décima edição do Dia da Liberdade de Impostos. A ação realizada pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e pela CDL Jovem, acontece em 2 de junho. Várias empresas venderão produtos e serviços pelo valor sem a incidência de impostos.  E o consumidor poderá comprar roupas, calçados, óculos, cosméticos, móveis, alimentos e até mesmo um carro livre do pagamento de tributos.

E engana-se quem acha que esse descontentamento é exclusivo dos mineiros. Todo o país irá demonstrar a insatisfação com a elevada carga tributária. Outras ações também serão realizadas simultaneamente no Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Goiás, Santa Catarina, Amapá, Espírito Santo e Brasília.

É o movimento lojista e toda a população se unindo, pois não aguentam mais tantos impostos. A nossa intenção não é acabar com os tributos. Afinal sabemos da importância dele para o país. Lutamos é para que o Brasil passe por uma reforma tributária que conceda um novo fôlego aos negócios, fomentando o desenvolvimento econômico nacional e, consequentemente, contribuindo com a geração de mais empregos e renda. Somente assim estaremos no caminho do crescimento.
 

Bruno Falci
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH)

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