A conta só aumenta

Carga tributária

Atualmente estão em vigor no país mais de 90 tipos diferentes de cobrança de impostos. Isso demonstra como é complexa a carga tributária brasileira. E como se não bastasse esse número elevado, estamos próximos da iminência do retorno de mais um tributo: a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Essa cobrança já penalizou a população por longos anos. E seu retorno, tem sido pauta recorrente em Brasília, sob o pretexto de equilibrar as contas públicas.

O peso de mais um imposto recairá sobre os ombros de toda a população. O consumidor terá sua renda ainda mais corroída, como se não bastasse os exorbitantes tributos embutidos nos produtos. E os empresários que já se vêm obrigados a reduzir sua margem de lucros, consequemente, acabarão perdendo mais faturamento. Com isso, muitos negócios e postos de emprego são fechados. O que não é bom para a economia do país e para mais ninguém.

Se ao menos parte do valor dos impostos fosse revertido para a população em forma de prestação de serviços públicos de qualidade não haveria problemas. Mas, infelizmente essa não é essa a nossa realidade. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IPBT), o Brasil é o país que oferece o pior retorno dos impostos à população. De 30 nações com as maiores cargas tributárias do mundo, o Brasil ficou na última posição do ranking, atrás de países como Uruguai, Argentina e Grécia.

E como o governo não consegue garantir à população um serviço de qualidade, o brasileiro se vê obrigado a pagar além dos tributos para ter acesso a esses serviços. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam isto. Pesquisa divulgada pelo órgão, em março deste ano, apontou que mais de 30% da população brasileira possui planos de saúde. Se o atendimento público de saúde fosse realmente bom, a população não precisaria fazer esse tipo de investimento.

A grande questão é que o cidadão faz a sua parte ao pagar os impostos, mas o governo não retorna para a sociedade, na forma de serviços, os tributos pagos. Somos um país campeão na cobrança de impostos, mas que oferece serviços de baixíssima qualidade à população. E cansados dessa realidade, o movimento lojista da capital, se une, mais uma vez para protestar contra a elevada carga tributária brasileira com a realização da décima edição do Dia da Liberdade de Impostos.

A ação promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e pela CDL Jovem, acontece no dia 2 de junho. O objetivo é conscientizar a população sobre a abusiva carga tributária do país. Durante o Dia da Liberdade de Impostos, diversos estabelecimentos da capital venderão produtos e serviços sem a incidência de impostos.  Os consumidores poderão adquirir até mesmo um carro com o desconto dos tributos.

Mas toda essa ação só é válida se a população entender como é pesada e injusta a carga tributária brasileira. Pois só assim, juntos, é que podemos lutar por um sistema tributário menos burocrático e oneroso.
 

Bruno Falci
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH)

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