Imprensa - 20 de janeiro de 2026 Crescimento da inadimplência em BH alerta para necessidade de controle financeiro Alta das dívidas reflete juros elevados e consumo sazonal, aponta levantamento da CDL/BH. Entidade orienta consumidores a adotarem hábitos financeiros mais saudáveis diante do cenário econômico O ano de 2025 encerrou com um sinal de alerta para os consumidores da capital mineira para 2026: a necessidade de planejamento financeiro. Segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), o índice de inadimplentes do último mês de dezembro cresceu 5,86% na variação anual (comparado com o mesmo período de 2024). “O aumento da inadimplência e do valor devido em dezembro está ligado aos gastos com festas, compra de presentes e despesas de comemorações que convergem com o acúmulo de inadimplências e a capitalização de juros sobre dívidas anteriores, elevando o valor nominal médio do valor devido”, explica o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva. Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, o momento é propício para fortalecer hábitos financeiros mais saudáveis. “O cenário de 2026 é desafiador, mas também oferece boas oportunidades para quem se organiza. O planejamento financeiro contínuo será um grande aliado das famílias. Ainda que a expectativa seja de um crescimento moderado, o mercado de trabalho está aquecido e temos a expectativa de redução da Selic nos próximos meses”, afirma. Com uma média de duas dívidas por CPF e um valor médio devido de R$ 5.565,29 os belo-horizontinos entre 40 e 34 anos representam a maioria dos inadimplentes (46.52%). Segundo o levantamento da CDL/BH, esse comportamento pode ser explicado por fatores econômicos e demográficos: essa faixa etária representa o período de maior atividade econômica e acúmulo de responsabilidades financeiras, como aquisição de bens de maior valor (casas, veículos) e sustento familiar, o que amplia tanto o acesso ao crédito quanto o risco de endividamento. As faixas mais jovens e as mais idosas apresentaram níveis reduzidos, refletindo tanto menor exposição ao crédito quanto menor capacidade de pagamento ou necessidade de endividamento. Manual do controle financeiro Ainda que na comparação com o estado (8,56%) e com o país (10,17%), a inadimplência na capital mineira seja menor, pequenas atitudes no dia a dia podem fazer grande diferença para os consumidores. Controlar receitas e despesas, organizar os gastos por categoria e priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos ajudam a manter o orçamento equilibrado. A criação de uma reserva de emergência, mesmo de forma gradual, também contribui para dar mais segurança financeira e evitar imprevistos ao longo do ano. “O primeiro passo para uma vida financeira mais tranquila é conhecer a própria realidade. Quando o consumidor passa a acompanhar de perto seus gastos, ele ganha mais controle, faz escolhas melhores e reduz riscos. Outro ponto de atenção é que a taxa básica de juros deve permanecer em patamares elevados durante boa parte do ano, o que reforça a importância de um uso mais consciente do crédito e de uma gestão financeira cuidadosa”, destaca Souza e Silva. Confira abaixo, dicas práticas para alcançar o controle financeiro. Faça uma “Fotografia Financeira” Antes de qualquer ação, registre tudo que entra e tudo que sai do seu bolso durante 30 dias. Use: Planilhas simples (Excel, Google Sheets), Aplicativos gratuitos (Mobills, Minhas Economias, Orçamento Fácil) ou até um caderno (simples, fácil e seguro!). “Esse hábito nos ajuda a ter clareza dos gastos. A maioria dos brasileiros só têm “uma ideia aproximada” de seus gastos e o restante não sabem quanto gastam. Esse desconhecimento é a raiz do endividamento”, alerta Souza e Silva. Organize Despesas em Categorias As despesas devem ser organizadas em: essenciais (moradia, alimentação, transporte, saúde), variáveis (lazer, compras por impulso), supérfluas (assinaturas, serviços premium) e previsíveis sazonais (IPVA, IPTU, material escolar, seguro). Alerta: pequenos gastos recorrentes, como assinaturas de streamings e aplicativos de carro, podem comprometer boa parte do orçamento mensal quando somados. Pague as dívidas mais caras primeiro “Ao criar a ordem de prioridade de pagamentos, observe a taxa de juros vigente e o custo operacional da dívida. Pague as mais caras como cartão de crédito e cheque especial, que são as mais utilizadas e com maior probabilidade de inadimplência”, sugere o presidente da CDL/BH. Construa e mantenha uma reserva de emergência Uma reserva de emergência protege contra dívidas inesperadas e quebra o ciclo de endividamento contínuo. “Comece pequeno com até R$50, R$100 mensais e aumente gradualmente”, aconselha Souza e Silva. Uma boa reserva financeira equivale a, pelo menos, três meses do custo de vida. Sendo que, para trabalhadores do formato CLT, o ideal é de três a seis meses, e para autônomos e empreendedores, de seis a 12 meses. Perspectivas econômicas para o ano As projeções indicam um crescimento econômico moderado em 2026, em torno de 1,8%, impulsionado principalmente pelo bom desempenho do mercado de trabalho e por medidas que ampliam a renda disponível da população, como a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. Esse movimento tende a sustentar o consumo, especialmente no setor de comércio e serviços. Ainda assim, a taxa básica de juros deve permanecer em patamares elevados durante boa parte do ano, o que reforça a importância de um uso mais consciente do crédito e de uma gestão financeira cuidadosa. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil