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Imprensa -

Em reunião na CDL/BH, entidades do setor produtivo defendem privatização do metrô

Sugestão de Pauta

De acordo com os dirigentes, não existe impedimento para que o leilão não seja realizado. Eles destacam ainda que no modelo atual, o metrô da capital mineira jamais será expandido ou modernizado

Às vésperas do leilão de privatização do metrô de Belo Horizonte, previsto para o dia 22 de dezembro, entidades do setor de comércio e serviços da capital mineira reuniram-se nesta terça-feira, 13, com o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, para discutir os impactos da possível privatização na economia da cidade. 

O encontro realizado na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) contou com a presença da Associação Mineira de Supermercados (Amis),  Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi), Mercado Central, Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Associação dos Comerciantes do Hipercentro de Belo Horizonte, Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais (Assovemg), Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese-BH), Sindicato e Associação Panificação e Confeitaria de Minas Gerais (Amipão) e Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Setcemg). 

Na percepção das entidades, não existe nenhum motivo para que o leilão seja adiado. Segundo o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, que falou em nome das entidades que participaram da reunião, o leilão respeitou todos os procedimentos legais para que seja realizado, inclusive com a aprovação do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público Federal. “Não há nenhuma irregularidade. Já temos o dinheiro garantido para atrair os interessados. No modelo atual, jamais o metrô de Belo Horizonte será expandido ou sequer modernizado. Ele gera um prejuízo de quase R$ 400 milhões por ano, dinheiro que poderia estar sendo utilizado na saúde, educação, segurança e até mesmo no transporte público. Até para os atuais empregados da CBTU este  modelo de gestão é negativo. Neste ano de 2022, um em cada quatro dias o metrô de Belo Horizonte ficou paralisado por motivo de greve”, destacou.   

Leilão será mantido

Em entrevista para a imprensa após a reunião com as entidades, o Secretário Fernando Marcato disse que ficou surpreso com a ação promovida pelo Partido dos Trabalhadores para impedir a realização do leilão. “Tivemos contato com a equipe de transição do governo eleito e não foi nos colocado nenhum impedimento. Foi proposta uma ação, mas não houve qualquer decisão. Hoje não existe nenhuma determinação judicial determinando que o processo seja paralisado ”, explicou. Para Marcato, a ação é “descabida, já que o processo está acontecendo há dois anos e nunca houve tentativas de diálogo, por parte dos autores da ação, para paralisar o processo. O leilão está mantido, vamos seguir com o processo, pois essa é a nossa obrigação como gestores públicos. Precisamos trazer melhorias para a população ”, afirmou. 

Em relação aos postos de trabalho, o secretário Fernando Marcato disse que o contrato prevê que no primeiro ano haja estabilidade, o que impede a demissão.  “A tendência é que os trabalhadores sejam convidados a continuar na operação. Se o Governo Federal desejar, pode ser oferecida a esses trabalhadores a  possibilidade deles saírem da CBTU Minas e migrarem para a CBTU ou outro órgão do governo”, explicou.  

O secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, e o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva | Foto: Alessandro Carvalho

Impactos do metrô na mobilidade da cidade

O metrô da capital mineira atende cerca de 270  mil usuários diariamente. São passageiros das cidades de Belo Horizonte e Contagem que circulam pelas 19 estações, sendo que quatro fazem integração com as estações Eldorado, São Gabriel e Vilarinho, facilitando a mobilidade entre metrô e ônibus.  

De acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos em Minas Gerais (CBTU-MG) são realizadas, mensalmente,  mais de 4.700 viagens. A estação Eldorado, com quase seis milhões de usuários ao ano, é a estação que registra o maior número de passageiros.  O tempo médio de viagem de Eldorado a Vilarinho é de 47 minutos e mais de dois milhões de pessoas utilizam o sistema todos os meses. O metrô atende cerca de cem bairros da Capital e da Região Metropolitana, considerando o entorno das estações num raio de até 600 metros.

Greve dos metroviários é prejudicial para toda a economia

Para a CDL/BH, a possível greve dos metroviários nas vésperas da principal data comemorativa do ano não será apenas prejudicial para o setor de comércio e serviços da cidade. “Após dois anos de muitas restrições para a locomoção das pessoas provocadas pela pandemia, o Natal de 2022 está sendo encarado por cada um dos comerciantes que conseguiu suportar a maior crise da história como uma grande possibilidade de recuperação”, destaca Marcelo de Souza e Silva.  

Ainda segundo o dirigente, a greve dos metroviários prejudica os ganhos dos trabalhadores na principal data comemorativa do ano. “É prejudicial para a efetivação definitiva de muitos trabalhadores que foram contratados de forma temporária para o período natalino.  Também reduz a renda das famílias. Tem consequências negativas para o movimento de bares e restaurantes. Tanto os trabalhadores do setor quanto os clientes utilizam os serviços do metrô”, pondera.

A entidade manifesta ainda que espera contar com a sensibilidade e o empenho da CBTU e dos metroviários para evitar que mais uma greve da categoria provoque tantos prejuízos para a cidade.

Confira abaixo o posicionamento do presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva

Foto Metrô: CBTU/Divulgação