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Inadimplência tem terceira alta consecutiva entre os consumidores da capital na base de comparação anual

Sugestão de Pauta

O número de consumidores de Belo Horizonte, com o nome inscrito nos cadastros de devedores, encerrou o mês de agosto em alta. Na variação anual (Ago.18/Ago.17), a inadimplência aumentou 0,66%. Após uma sequência de 11 quedas consecutivas, desde junho, o endividamento vem crescendo nesta base de comparação entre os moradores da capital.  Este resultado é explicado pela elevação da inflação (Acumulado 2018 em 2,94% / Acumulado 2017 em 1,43%), que vem sendo influenciada pela alta do dólar, entre outros fatores.  “A aceleração da inflação impacta, diretamente, no custo de vida das famílias, diminuindo assim a renda disponível para o pagamento de dívidas, favorecendo o crescimento da inadimplência. Além disso, o enfraquecimento do ritmo de crescimento econômico contribui para manter a taxa de desemprego ainda elevada, o que estimula o endividamento”, explica o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Bruno Falci. “Outro fator que também vem impactando nos resultados da inadimplência, é o atraso do pagamento dos salários dos servidores do Estado”, acrescenta.

Na base de comparação mensal (Ago.18/Jul.18), houve uma queda de 0,60% no número de pessoas que estão inadimplentes em Belo Horizonte.  Esta leve redução é reflexo do pagamento da primeira parcela do 13º salário dos aposentados, que costumam destinar uma parte desta verba para o pagamento das dívidas atrasadas.

O montante de endividados, na faixa etária acima de 65 anos, foi o que mais cresceu (16,49%) em agosto. “As pessoas nesta faixa etária são as responsáveis financeiras pelas famílias, e sentiram mais no bolso os reflexos do aumento do custo de vida. Muitos, inclusive, vivem apenas com a renda da aposentadoria”, explica Falci. Entre os gêneros, o endividamento foi maior entre as mulheres, com crescimento de 0,2%. Já entre os homens, houve queda de 0,7%.

Número de dívidas caiu 4,34% em agosto

De acordo com o Indicador de Dívidas em Atraso, em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior (Ago.18/Ago.17), houve redução de 4,34% no número de débitos vencidos. Apesar da inadimplência ter apresentado crescimento nesta mesma base de comparação, o número de dívidas registradas apresentou queda devido à entrada de capital extra via PIS/PASEP, que possibilitou às pessoas quitarem alguns débitos. Na comparação mensal (Ago.18/Jul.18), foi registrada uma queda de 0,58%.

A maioria das dívidas (12,32%) está entre as pessoas com mais de 65 anos. Nessa faixa de idade encontram-se os aposentados que sofreram redução de renda e ao mesmo tempo tiveram suas despesas elevadas, favorecendo o aumento das dívidas. De acordo com dados do IBGE, a renda real média, no 2º tri.18, de pessoas com mais de 60 anos em Belo Horizonte, foi de R$ 3.172. Já no mesmo período de 2017 era de R$ 3.392, o que representa uma queda de 6,4% na renda.

Inadimplência e número de dívidas das empresas da capital seguem em alta em agosto

O volume de empresas inadimplentes cresceu 8,35% em agosto, na variação anual (Ago.18/Ago.17). Neste mesmo período do ano passado, a alta foi menor, de 6,97%. “A economia do País ainda não conseguiu retomar o ritmo de crescimento necessário para recuperarmos as perdas dos últimos três anos e permitir que os empreendimentos consigam quitar todos os seus débitos”, explica Falci. “Além disso, as incertezas sobre o cenário político vêm influenciando, negativamente, a recuperação da economia, o que impacta diretamente nas receitas das empresas”, acrescenta o presidente da CDL/BH. Já na variação mensal (Ago.18/Jul.18), houve uma leve retração de 0,49%.

O número de dívidas das empresas da capital também registrou crescimento em agosto, na comparação anual (Ago.18/Ago.17) a alta foi de 5,35%. Já na variação mensal (Ago.18/Jul.18), a quantidade de contas em atraso das empresas caiu -0,49%.

Metodologia – Os indicadores de inadimplência apresentados nesse material contêm todas as informações disponíveis nas bases de dados a que o SPC Brasil e a CDL/BH têm acesso.