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Analise sobre o PIB do 1º trimestre de 2015

Apoio ao Comércio

           O Produto Interno Bruto apresentou, no primeiro trimestre deste ano (janeiro a março), uma pequena variação mensal em relação ao quarto trimestre de 2014 (outubro a dezembro), de -0,2%. Pelo lado da oferta (conjunto de todos os bens/serviços finais que foram produzidos/ofertados no período), a agropecuária foi o que apresentou maior expansão, de 4,7% nesta base de comparação. Indústria e serviços apresentaram queda de -0,3% e -0,7%, respectivamente. Pelo lado da demanda (consumo de todos os itens produzidos no mesmo período), houve queda nas três divisões: Investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) com queda de -1,3%, Consumo das famílias com retração de -1,5% e consumo do governo com baixa de -1,3%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a retração da economia foi maior, de -1,6%, tendo somente agropecuária com valor positivo (+4,0%), tanto na oferta quanto na demanda. Indústria e serviços apresentaram queda de -3,0% e -1,2%, respectivamente, e investimento, consumo das famílias e do governo apresentaram contrações de -7,8%; -0,9% e 1,5%, cada um.

         Este cenário de retração da economia era esperado, visto que foi o tema principal do debate eleitoral no final do ano passado. Desde o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, a economia já vinha dando sinais de esgotamento de modelo, com inflação persistentemente acima da meta e investimentos em queda, apesar do triunfo da política de redução do desemprego, que chegou a seus menores patamares no período. As políticas de estímulos ao consumo via crédito e via desonerações tiveram efeito limitado e as constantes mudanças nas regras do jogo político fizeram com que a confiança na economia caísse, e afugentasse mais o investimento.

Neste ano, com a indicação do novo ministro da fazenda, Joaquim Levy, a presidente sinalizou uma aceitação de uma política mais contracionista, com o objetivo de reajustar a economia para que ela possa crescer no futuro. Para este ano, de acordo com o relatório Focus, a previsão é de que a economia retraia -1,24% até então, com um aumento geral dos preços, medido pelo IPCA, de 8,37%, valor muito acima do teto da meta. O comércio já passa a sentir os efeitos do aperto nos cintos, tanto do governo quanto das famílias. No dia das mães, uma das datas mais importantes do comércio, a expectativa de crescimento foi de +0,21% neste ano, contra 0,47% no ano passado e +1,91% em 2013. Isso é fruto, principalmente do efeito da inflação, que já acumula 4,56% neste ano, e do desemprego, que saiu de 4,9% em abril de 2014 para 6,4% no mesmo mês deste ano. Contribuindo para isso, a queda na renda real, de -2,9%, contribui para o aperto orçamentário das famílias. 

         Porém, o esforço tem sido feito para que a retomada seja feita a partir de 2016, onde a previsão do PIB já é positiva e a inflação gira em torno de 5,5%, dentro das bandas da meta de inflação (centro de 4,5% ao ano, com piso de 2,5% e teto de 6,5%). Com uma política de reconstrução da política econômica do governo, via transparência na contabilidade pública (determinação de um superávit fiscal menor, mas mais plausível) e politica fiscal ortodoxa (aumento das receitas por meio de impostos e redução dos gastos por meio de cortes no orçamento). Com isso o governo espera demonstrar uma maior responsabilidade fiscal, buscando retomar o tripé da economia: Superávit primário, inflação controlada e câmbio razoável.

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(Fonte: Setor de Economia da CDL/BH)