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Crescimento do comércio eletrônico deve impactar no mercado imobiliário

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O comércio eletrônico tem crescido de forma importante e constante na última década, embora ainda represente uma pequena parcela do total das vendas no varejo.

 

 

Entretanto, as vendas pela Internet devem começar a ter um crescimento explosivo em função de novos hábitos de compra e das mudanças tecnológicas que acompanham e dão suporte a esse novo comportamento. O impacto na indústria de shopping centers será profundo e inevitável.

 

 

Como lojas de varejo e shopping centers podem competir com a conveniência, o preço competitivo e o processo cada vez mais evoluído de compras online? A resposta é que eles não podem.

 

 

Hoje, nos EUA, existem 2 metros quadrados de lojas de varejo para cada habitante. No Canadá, esse número chega a 1,5 metro quadrado e no Reino Unido, onde a relação é mais equilibrada, 0,4 metro quadrado.

 

 

Diferentes mercados deverão, portanto, encontrar as soluções mais adequadas para cada caso e repensar seus modelos de operação em função de suas características específicas.

 

 

Segundo a ULI Magazine, esta revolução está em curso e muitos empreendimentos estão mudando e adaptando suas estruturas para lojas de varejo, a fim de se tornarem “extensões” do espaço urbano.

 

 

Esses empreendimentos possuem, em suas instalações, conexão direta com estações de metrô, hotéis, edifícios de escritórios, praças ao ar livre, playgrounds, restaurantes, teatros, cinemas etc.

 

 

Ideias para a criação de espaços comunitários onde as pessoas possam participar de eventos, exposições, aulas ou simplesmente se encontrarem surgem como alternativas.

 

 

Condomínios de moradia com serviços e espaços para coworking também são considerados opções para ancorar shopping centers.

 

 

Esse movimento na direção da ampliação dos empreendimentos com uso misto está perfeitamente adequado às necessidades de racionalização de deslocamentos e melhoria da mobilidade urbana, tão importante nos grandes centros.

 

 

Além disso, as próprias lojas de varejo, devem começar a entender melhor o comportamento das novas gerações.Para esses jovens, ter acesso a determinado item é melhor do que comprá-lo, se isso representar economia de tempo e dinheiro. Esse é o caso, por exemplo, de lojas que em vez de venderem roupas, alugam as peças das grifes mais caras e dão oportunidade à maioria dos jovens que não poderiam comprar essas roupas de usá-las.

 

 

Tirar partido da importância de sentir a mercadoria fisicamente tem feito algumas lojas, nesse processo de adaptação, tornarem-se apenas locais de demonstração, onde os clientes podem ver, sentir e experimentar as mercadorias, com a possibilidade de encomendarem para entrega futura em domicílio ou retirada na própria loja.

 

 

Certamente, os shopping centers e os centros de comércio de varejo não serão excluídos do cenário imobiliário, mas deverão sofrer profundas transformações em sua concepção e operação. A perfeita compreensão dos novos modelos de comportamento social e das alternativas tecnológicas disponíveis será fundamental para estruturar esse novo produto imobiliário.

 

 

 Fonte: Folha de São Paulo – Artigo de Cláudio Bernardes

 

 

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