Notícias -

As lojas de proximidade

Apoio ao Comércio


De tempos em tempos surgem tendências em formato de lojas que são rapidamente adotadas por players do varejo. Já passamos pela expansão dos hipermercados, o surgimento dos atacarejos e o crescimento das drogarias/perfumarias, para citar alguns. A bola da vez são as lojas de proximidade.


O Casino lançou as bandeiras Minuto Pão de Açúcar e Mini Mercado Extra. O Carrefour desenvolveu o Carrefour Express. O Dia%, atuando no Brasil desde 2001, atualmente possui mais de 800 lojas que priorizam a proximidade. Raízen, BR e Ipiranga, em função da poderosa capilaridade das lojas de conveniência (aproximadamente sete mil lojas), também começam a avaliar elementos do modelo para aproveitar essa oportunidade.


Em um mundo cada vez mais soterrado na tecnologia, o consumidor se habitua a agilidade e rapidez. O e-commerce entrega uma grande variedade de produtos a poucos cliques, faz recomendações de compras e “conhece” seu padrão de consumo. As lojas de proximidade são uma parcela da resposta a essa tendência. Elas entregam sortimento mais focado, maior velocidade de decisão e pagamento, reposição mais frequente (transmitindo a ideia de produtos mais frescos em FLV), praticidade e conveniência por não ter que enfrentar o trânsito e ser próxima.


Mas, para maximizar a penetração dessas lojas, há também um eficiente movimento de modernização e inovação das redes. A experiência é valorizada incluindo o aprimoramento do visual merchandising e adoção de novas tecnologias de interação. A atenção ao Foodservice acompanha o novo perfil do consumidor que aumentou o consumo fora de lar (aproximadamente de 33% do gasto em alimentação), as refeições intermediárias (os lanches detém 23% do tráfego) e o take away.


As novas estratégias de sortimento merecem um debate adicional, principalmente pela valorização da marca própria. Ocupando um papel cada vez mais relevante, que supera 30% do faturamento na rede Dia%, os produtos de marca própria costumam apresentar margem superior (até 25% acima das marcas do fabricante) e elevada responsabilidade na fidelização dos clientes. A valorização da qualidade, sustentabilidade e preocupação com a saúde são exigências dessa nova geração de marca própria.


O potencial de transformação no cenário de consumo das lojas de proximidade pode ser percebido quando olhamos a realidade do mercado europeu, que tem nesse formato uma grande concentração das vendas. Essa possibilidade chama a atenção de outras empresas como a Heinkein que desenvolveu o conceito da Beer Cave para as lojas AmPm dos postos Ipiranga e até mesmo a Amazon, que acaba de fechar parceria com a rede Oxxo (13 mil PDVs no México) para servir como ponto de entrega das compras efetuadas pelo site. A Oxxo se beneficiará de taxa operacional e um aumento no fluxo de clientes!


Atuar no formato de proximidade, entretanto, exige um modelo de negócio especifico que integre a massificação da operação, em função do número de lojas, com elevado grau de flexibilidade na definição do sortimento e do preço, adequados a área de atuação. A logística é crítica, pois a maximização da área de vendas depende da otimização do estoque e da eficiência no abastecimento, além de se submeter às restrições de mobilidade em áreas residenciais. Os grandes varejistas do Brasil estão segmentando a operação para se adequar as exigências do formato como, por exemplo, o Carrefour que disponibilizou um centro de distribuição apenas para a bandeira Carrefour Express.


Fonte:  GSMD  – Artur Motta Editado