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É hora de pilotar a crise com uma mão e planejar o pós-crise com a outra

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A evolução dos efeitos do coronavírus no consumo brasileiro tem sido quase tão rápida e devastadora quanto a propagação da própria doença.

 


Dados divulgados pela Cielo mostram que as vendas no varejo nacional caíram 3,8% na comparação entre a primeira semana de fevereiro e a primeira de março. Na semana seguinte o recuo foi ainda maior, chegando a 6% a nível nacional e 8,2% na Cidade de São Paulo.

 


Os números dessa semana ainda estão sendo coletados, mas o fechamento dos shopping centers em alguns estados e a redução do horário de funcionamento em outros, sem falar na quarentena a que boa parte da população está se sujeitando, para tentar achatar a curva de proliferação do vírus, sugerem que o tombo deve ser gigantesco.


 


A queda no faturamento poderia ser ainda maior, não fossem as altas vendas de drogarias e farmácias, que cresceram 30% na última semana ante mesmo período do ano passado, e as de super e hipermercados, que avançaram 19%.


A tendência, de agora em diante, e pelos próximos meses, é de uma forte retração em todos os segmentos, exceto saúde e alimentação, com uma forte predominância da venda virtual.


 


Aliás, varejistas e shopping centers que já atuavam com marketplace virtual e serviços organizados de delivery estão um pouco mais bem posicionados para atravessar os tempos bicudos que teremos pela frente.


 


Ao mesmo tempo, o e-commerce brasileiro enfrentará um teste importante, à medida que for mais acionado pelos consumidores. Experiências positivas podem estimular os usuários a seguir adotando o canal no pós-crise, enquanto experiências negativas terão o efeito contrário.


 


Restam poucas dúvidas de que o prejuízo será enorme e diante desse cenário apocalíptico, digno de filmes de ficção científica. Ações que forem tomadas agora serão paliativas. A pergunta que fica é: o que será o amanhã? Como vai ser nosso destino, quando as nuvens começarem a se dissipar?


 


Neste momento o cenário é para lá de preocupante. O prosseguimento da recuperação que nossa economia ensaiava e os planos de expansão que o varejo desengavetava são atualmente incógnitas, como tantas outras coisas.


Mas ao mesmo tempo em que pilotamos a crise, cuidando das nossas pessoas e empresas (nesta ordem) da melhor maneira possível, deveríamos começar a nos preparar para o segundo semestre, quando tudo indica que o coronavírus poderá estar controlado.

 


Na segunda metade do ano precisaremos acelerar para tentar recuperar o tempo perdido, levando em consideração que muitos consumidores estarão receosos ou terão eventualmente seu poder aquisitivo reduzido. Para dificultar ainda mais todo esse processo, faltam informações que permitam antever como se comportará o mercado até lá.


Uma coisa é certa mesmo diante de tantas dificuldades se não utilizarmos as próximas semanas para desenhar o plano pós-crise, o ano estará irremediavelmente perdido. 

 


Fonte: Mercado&Consumo


 

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